
Secretário-geral da State of the World Forum – Brasil fala sobre o Conquista 2020 e a transição mundial para uma economia verde
“Líderes climáticos do mundo inteiro acreditam que a humanidade enfrenta uma escolha: redefinimos nossos valores e estilos de vida para alcançar a sustentabilidade até 2020 ou colocaremos a civilização humana em risco por sermos coniventes com o que está acontecendo”. Esse alerta serve como base para a Campanha Global de Liderança Climática Brasil 2020, convocada pelo State of The World Forum, um instituto aglutinador de lideranças que propõem soluções criativas para problemas globais críticos. Essa campanha é um chamado à responsabilidade individual e coletiva de tomadas de decisões e buscas de alternativas resultantes das mudanças climáticas. Essa é, hoje, uma preocupação mundial.
O Brasil sai como protagonista nessa campanha e, em Vitória da Conquista, será realizada a conferência regional “Conquista 2020 – Prosperidade para uma região sustentável” nos dias 28 e 29 de abril. Um dos líderes desta campanha, o secretário-geral do State Of The World Forum – Brasil e gestor ambiental, Rogério Barros esteve em Vitória da Conquista nos últimos dias 14 e 15 de abril, para articular apoios à causa, arregimentar novos atores para a campanha, estimular a conscientização e a mobilização, e definir, junto à organização, patrocinadores e apoiadores, a programação do evento. E mais: Rogério veio para reafirmar que é possível, para o Brasil e para a região de Conquista, num prazo de dez anos, construir um novo sistema de convivência através de soluções sustentáveis e uso de tecnologias limpas. Confira a entrevista concedida à Assessoria de Imprensa do Conquista 2020:
Assessoria de Imprensa do Conquista 2020 – O Brasil foi escolhido para encabeçar a campanha mundial defendida pelo State of The World. Como se articulou essa escolha?
Rogério Barros – Em 2009, o presidente do State Of The World Forum, Jim Garrison, veio ao Brasil com a intenção de convocar uma delegação brasileira para representar o país no Fórum Mundial 2009. Esse fórum estava previsto para ser realizado em Washington em novembro do mesmo ano e é formado por uma rede de lideranças mundiais dedicada a encontrar soluções aos desafios mundiais e promover o desenvolvimento sustentável. Ao chegar, participou de várias reuniões em Brasília, Belo Horizonte, Salvador, com empresários e pessoas interessadas. A ONG internacional, com sua força e reconhecimento, passou a ter, após esses encontros, grande interesse no Brasil. O Brasil conta com uma excelente política ambiental que pode ser considerada entre as mais bem elaboradas do mundo. A partir disso, Jim constatou, junto com a comitiva internacional, que o Brasil se posiciona como um fractal do mundo, por sua grande diversidade, tanto nas questões ambientais, como em sua diversidade étnica. Para completar, não tem problemas de fronteira, nem conflitos com países vizinhos. Disso resultou a ideia de propor ao Brasil a liderança da Campanha Global de Liderança Climática 2020, que passou a ser chamada de “Join Brazil” lá fora. Quando apresentamos essa proposta, nos primeiros encontros em Belo Horizonte, foi prontamente aceita pelo governador de Minas.
Assessoria – A proposta de formar essas lideranças ou fazer essas ações multiplicadoras é de conscientização ou de mobilização efetiva?
RB – Na verdade, implica as duas coisas. Quando se fala em extensão mundial você precisa de uma conscientização e da mobilização, ao mesmo tempo. Nós trabalhamos com soluções. Os fóruns, os encontros regionais e conferências internacionais de toda a campanha, têm a característica de sempre trazer soluções. Incluímos nessas soluções uma equipe mundial de grande conhecimento e capacidade, a qual nós chamamos de “Time de Respostas Rápidas”. Se, por exemplo, houver o comprometimento de organizações e do poder público, que têm o poder de fazer algo e assumem que vão fazer, o grupo diz: “então é assim que se faz”. Estes eventos trazem o compromisso a público. Sempre existe uma ou duas maneiras de fazer diferente e com a melhor proposta, que inclui o uso de tecnologias limpas que já estão disponíveis. Então essa é a nossa ideia: reunir todas as tecnologias mundiais, que já estão sendo testadas e aprovadas, e apresentá-las nestes encontros, para poder transformar e mobilizar as pessoas. Desta forma, conseguiremos levar o instrumento de conscientização ao indivíduo – o que seria ideal – a participação de cada pessoa em todo o mundo. Uma ONG faz, o governo faz, empresários fazem, todos podem fazer alguma coisa. Mas o que você pode fazer individualmente para a campanha? Pequenas mudanças de atitude, mesmo em casa, já são importantes, como diminuir o seu tempo no chuveiro, não “varrer” calçadas com água, etc. Se cada um puder divulgar essa campanha já temos outra contribuição. Se somarmos e contribuirmos para fortalecer projetos socioambientais de nossa região e da comunidade já estaremos fazendo algo, participando.
Assessoria – É uma proposta de sair do campo discursivo para a prática…
RB – Sim, queremos exatamente preencher essa lacuna. Muito se fala sobre o assunto, mas, na verdade, as mudanças efetivas não chegam a acontecer. Desde quando foi criado, em 1995, o State of The World Forum é realizado para discutir sobre as temáticas mundiais em situações de emergência e de maior impacto nas pessoas e no planeta e propõem soluções práticas junto a governantes e lideranças para que possam assumir suas posições e agir. Nesse ano, é levada ao mundo inteiro a questão das mudanças climáticas. Não vamos trabalhar aquecimento global, como no início, porque as constatações dos cientistas comprovam que o clima nos oceanos, em certas partes, está se resfriando demais e em outras partes o calor está aumentando. O ser humano e suas ações têm uma parcela de contribuição a esses fatores, mas não podem assumir toda a culpa disso. No entanto, não podemos deixar de observar que o aumento do volume de consumo e de produção humana são condições que inviabilizam a sobrevivência do próprio ser. Precisamos agir e “pisar no freio”. A ideia não é uma campanha com base em notícias catastróficas, mas as coisas já estão acontecendo, está todo mundo vendo o descontrole. A nossa intenção, então, é unir as forças para uma ação em massa. O trabalho conjunto do presidente do instituto, Jim Garrison, de Emília Queiroga e do comitê estratégico da Campanha, que levam esse assunto pelo Brasil, é de crucial importância para conseguir os apoios necessários e mobilizar as pessoas. Desde o início não recebemos nenhum “não” como resposta.
Assessoria – Hoje a população tem um nível de busca e preocupação maiores. Ela está ciente, por exemplo, de que dados oficiais sobre as questões da mudança climática, de pesquisadores, cientistas e especialistas, foram adulterados. Como esclarecer as pessoas sobre o que, de fato, é real?
RB – Independente dos dados que apresentam divergências, nossa meta é cientificamente correta por se basear e trazer a opinião de grande parte dos maiores cientistas mundiais. Nosso desafio é reduzir em 80% as emissões de carbono na atmosfera e consolidar a Economia Climática Global nos próximos 10 anos. Promoveremos fóruns a partir da manifestação de regiões, macrorregiões e estados, com eventos locais e regionais, como é o caso de Vitória da Conquista. Esse evento trará a perspectiva da região, que tem características particulares, onde mostrará a verdade local do conhecimento de todos e os dados reais que serão tratados pelos especialistas – o Time de Respostas Rápidas. Esses encontros regionais, então, auxiliarão as iniciativas locais. Esta macrorregião do sudoeste tem capacidade de abranger e impactar cerca de dois milhões de pessoas, então já é um bom motivo. Como modelo, o encontro daqui ainda pode gerar um bom conteúdo para os fóruns mundiais. Resumindo, a Campanha Brasil 2020 se desenvolverá em quatro frentes de ação neste período: dez fóruns mundiais realizados no Brasil; conferências internacionais; eventos regionais em diferentes países e regiões do planeta; uma intensa agenda de educação em parceria com a Fundação Roberto Marinho, Universidade da Experiência (UEXP) e Instituto das Nações Unidas pra Treinamento e Pesquisa (Unitar) e Unitar; e, ainda, as sinergias com projetos e iniciativas nacionais e internacionais alinhadas com a nossa proposta.
Assessoria – Em Belo Horizonte, no lançamento da campanha no Brasil, logo após o encontro foi feita uma mobilização. Há intenção de também se trabalhar dessa forma nesses encontros regionais?
RB - Em Belo Horizonte a mobilização partiu do próprio governo e começou com a assinatura de um compromisso público no mesmo evento, afirmando o que quer e quanto irá investir. A partir daí, as ações e a mobilização são automaticamente geradas. O resultado desse fórum entrou na internet e ganhou o mundo. Em três, quatro meses, já tínhamos quarenta países com adesão à campanha e já utilizando a logomarca “Brasil 2020 – Tô Dentro”. As pessoas sabem que o caminho tem que ser esse.
Assessoria – É, então, uma mudança de cultura global.
RB - Sim. E está acontecendo verdadeiramente e com uma força incrível. Os resultados dos encontros regionais, apresentados em encontros internacionais, levam para o mundo o que o Brasil está fazendo. Desta forma acontece o desdobramento.
Assessoria – Qual a importância efetiva da participação de Vitória da Conquista no início desta agenda?
RB - Imaginávamos fazer em março o 1º Fórum Mundial em Salvador e depois aconteceria o encontro aqui em Conquista. Adiamos o de Salvador para o período de 27 a 30 de maio, sendo que, no dia 27, é também comemorado o dia da Mata Atlântica. Transferimos também o local para a cidade de Mata de São João, onde a Braskem (um dos patrocinadores) e seus parceiros mantêm um parque ecológico e acreditam que seja importante atrair a atenção de todos para aquela região. Ela apresenta grande possibilidade de se tornar exemplo de uma região sustentável. Conquista, realizando a conferência em abril, precede o Fórum Mundial, antecipando o movimento. O que será muito bom para levarmos os resultados para o Fórum. A programação está muito consistente e vamos trabalhar com as lideranças daqui. Já visualizo o desenho do evento que apresentará uma feira, com trabalhos locais, ideias de quem já está fazendo alguma coisa, as pessoas que vão participar do debate, especialistas internacionais e de toda a Bahia, além dos grupos de trabalhos de diferentes temáticas, que apresentarão resultados ao final. Para o final do dia teremos uma palestra para apresentar metodologias de “como fazer acontecer”, mobilizar e afirmar que isso tudo é possível com tempo, com programação, com agenda. Todos têm que sair do evento estimulados e prontos para tomarem alguma atitude.
Assessoria – Nessa campanha se usa muito a expressão “Economia Climática”. O que significa?
RB - É conceito novo. Começou inspirado na “Prosperidade Climática” e hoje já é pauta de discussão mundial, constituindo um guarda-chuva para as economias emergentes, incluindo a Economia da Prosperidade Climática. É bem simples: a economia como está considera como lucro a produção baseada na aquisição de bens e serviços de acordo com um cálculo que “supõe” a lucratividade. Na verdade, esse caminho não é o certo por comprometer várias áreas, principalmente a ambiental, que não é devidamente considerada nessa contabilidade. Aos poucos, os recursos vão ficando escassos e, em breve, irá inviabilizar esse “suposto” lucro. Hoje já contamos com novos modelos de arquitetura financeira e novos sistemas de financiamento do clima que garantem o desenvolvimento alinhado aos cuidados para com o meio ambiente. Nesse caso, outro termo novo aparece: “Sinergia Pré-competitiva”. Funciona assim: duas organizações que fabricam produtos diferentes ou similares, que utilizam a mesma matéria-prima, podem plantar ou preservar as áreas de produção de matéria-prima conjuntamente e isso dará resultados que servirão a ambos e os tornarão, economicamente, mais produtivos e melhores para competir. Eles investem em conjunto e competem no mercado normalmente: ambos vão ter a matéria-prima mais barata e mais abundante porque eles trabalham juntos para isso. Ainda, nesse caso, a população tem o seu ganho por não lhe faltar o recurso natural.
Assessoria – Tudo gira em torno de um sentido de equilíbrio…
RB – Sim, mas como é uma experiência nova, existe uma resistência e nem todo mundo quer dar o primeiro passo. Um exemplo: já foram inventados os carros movidos a água, a ar, a energia solar e a célula de hidrogênio. Olha que recursos abundantes! Nesse último exemplo, o carro, para fabricar sua carroceria, não usa aço, mas fibra de carbono em sua composição. O mesmo gera em torno de 800 watts de potência durante o dia, que são armazenados, e, quando está em casa, pode, com o equipamento adequado, se conectar ao sistema elétrico e fornecer eletricidade durante a noite para todo o ambiente. Imagine o que é isso como solução! E o que este veículo libera para atmosfera não é carbono, é oxigênio para o ar. Veja que mudança de perspectiva! A Fundação Rock Montain inventou o carro, liberou a patente para o direito público e informou aos maiores fabricantes de veículos. Então, por que o carro não está disponível? Porque não existe o posto de abastecimento. E o posto não existe alegando que o carro não está em quantidade no mercado. Assim, os estoques de petróleo continuam se esgotando e o dióxido de carbono continua sendo lançado. No meio ambiente tudo está em harmonia e interligado. Portanto, o uso do petróleo é inviável, pois é retirado de um local que não deveria ser acessado e é necessário que cumpra sua função ali, e o mesmo é queimado e lançado na atmosfera, onde não deveria estar. Está tudo errado. A interferência do homem, neste aspecto, é voraz e prejudica todo o equilíbrio. Se já inventaram carros e motos movidos a energia solar, carros movidos a ar, quer dizer que tem muita coisa acontecendo que não é devidamente difundida. Alguém precisa sair na frente. O século XIX foi baseado em carvão, o século XX em combustível fóssil e o século XXI será, inevitavelmente, baseado em energias renováveis. É apenas uma questão de tempo.
Assessoria – Dez anos serão suficientes para efetivar esse processo de mudança no mundo?
RB - Dez anos é o tempo que temos para que as coisas não fiquem fora de controle lá na frente e um tempo para conter o avanço das mudanças e mitigar seus efeitos. É o tempo estabelecido como meta e temos que conseguir, a todo custo, alcançá-la. A ideia desta campanha mundial é agregar. Quanto mais pessoas estiverem imbuídas de conseguir conquistar essa meta e mudar a visão, melhor. Isso fará muita diferença para conseguirmos o sucesso de todos nós. Estamos juntos, conquistando instituições, empresários e pessoas. As organizações que saírem na frente também terão benefícios e um lucro em todos os sentidos, pois chegará o momento em que a população dará um basta, dizendo: “não vou adquirir esse produto, ele não está seguindo normas ambientais”. Eu mesmo já pratico isso. Vou à uma padaria e não levo a “bandejinha” de isopor, encontrada hoje na grande maioria dos produtos vendidos. Peço que embrulhem em papel-seda ou outra embalagem reciclável, como antigamente. O isopor, apesar de estar sendo reciclado por algumas empresas, ainda é jogado no ambiente em grande quantidade. Não levo lixo para casa! Essa é a ideia. As pessoas têm que adquirir conhecimento e tomar atitude, pensar bem nas coisas que fazem e se posicionarem de fato.
Entrevista e texto: Marco Antonio J. Melo e Cássia Dias
Fotos: Cássia Dias
Veja todas as notícias
© Copyright Campanha Brasil 2020. Todos os direitos reservados.
Rua Praia de Iracema Quadra C19 Lt 35 Vilas do Atlântico Lauro de Freitas Bahia
Fones 55 71 3379-7050  |   55 71 3379-6261 E-mail: contato@brasil2020.com.br